Interior
Moradores da Barra de Santo Antônio denunciam falhas da BRK
Conforme a população do município, falta de água é constante em pleno verão e empresa não soluciona o problema de trabalho no Programa
No primeiro fim de semana do ano, em pleno feriado, com temperatura beirando os 40 graus, dezenas de moradores da Ilha da Croa, na Barra de Santo Antônio, revoltados com a frequente falta d’água e a omissão da empresa BRK, ameaçaram fechar a Ponte Rogério Farias, que liga o centro da cidade à Ilha da Croa, caso a água não retornasse as torneiras. Protesto como esses tem se repetido quase que semanalmente, prejudicando não somente moradores, bem como comerciantes e polo turístico.
Neste caso específico, não houve nenhuma ação preventiva, nenhum aviso e nenhuma consideração com a população barrense, que vem sofrendo desde que a empresa assumiu os serviços de distribuição de água na região. Segundo moradores, não existe uma assessoria técnica para responder os questionamentos da população, e quando respondem, é através de mensagens automáticas, um atendimento por IA. A associação dos moradores afirma que a BRK é empresa que já passou dos limites quanto ao que a lei preconiza de uma instituição que cuida de um serviço básico e extremamente importante que é a água.
Em resumo, a Barra de Santo Antônio tem enfrentado problemas recorrentes de falta d’água devido a falhas na infraestrutura ou paradas emergenciais da concessionária BRK Ambiental, com moradores protestando e buscando soluções.
Na última quarta-feira, equipes de reportagem da TV Tribuna Hoje e do jornal Tribuna Independente, estiveram na Ilha da Croa, onde o problema é mais persistente. No entanto, em várias localidades da região central, como a Barra 1 e Barra 2, situações de falta de água é recorrente.
Quem confirma é o empresário e morador do Barra 1, Pablo Jean, que apesar do drama de passar dias e dias sem água, tenta transformar seus protestos em forma de humor e de ironia. Como oito meses atrás, onde todo seu conjunto passou 15 dias sem água. O que ele fez: foi até a agência da BRK na Ilha da Croa, com toalha e sabonete para tomar banho no banheiro do escritório. Ou como há 3 meses, onde ficou mais de 10 dias sem água. Ele levou uma panela velha com restos de comida para mostrar que suas panelas estavam sujas sem água.
"O pior de tudo isso, é que nada se resolve, mas as contas continuam chegando, e sempre com valores mais altos. Em algumas situações, na tentativa de amenizar, a empresa envia carro pipa parta abastecer as casas. Mas pasmem, a água que chega não é potável. É uma água salobra, e na maioria das vezes, com cheiro de enxofre, de podre. Não dá para tomar banho, não dá para lavar roupas, nem para cozinhar. Só mesmo para descarga dos banheiros", afirma o empresário.
Mas a situação acontece em todos os lugares, numa repetição de contas cheias e torneiras vazias. E mesmo nas áreas mais turísticas, como na famosa praia de Tabuba, com restaurantes e pousadas, a falta de água é recorrente. Quem afirma é o empresário Paulista, que possui um restaurante no balneário a 20 anos.
"Não é normal uma empresa do porte da BRK, com compliance, que não dá a mínima as reclamações da população. Desde que se instalou aqui na Barra de Santo Antônio, é uma sucessão de falta de respeito. Nos últimos anos temos vivido uma espécie de terror, com mais ar nas torneiras do que água. Com casa cheia, pessoas precisando usar banheiro, precisando lavar pratos, panelas sujas, como se faz. E temos que comprar água mineral não só para beber, mas para tomar e cozinhar. Então porque temos que pagar contas altas, se a empresa não oferece o serviço" desabafa o empresário.
Na Ilha da Croa, o problema também é muito grave. O apicultor Edevaldo da Silva sabe muito bem disso. Passou natal e ano novo sem água nas torneiras. Na entrevista fez questão de mostrar os ponteiros do hidrômetro correndo a toda velocidade, mas água que é bom, sai pouca. "Na Ilha da Croa, os moradores locais, não são ricos, muitas vezes sobrevivem com um salário ou pouco mais. E como se faz para pagar contas de 400 ou de 500 reais, comprometendo um terço do salário. Pior, passam dias sem água, mas o hidrômetro, por incrível que pareça, esse não para. Repito, estamos vivendo de contas cheias e torneiras vazias". Afirma ele.
A reportagem foi até o escritório da BRK na Ilha da Croa, onde encontrou consumidores reclamando dos altos valores das contas e uma única colaboradora, que quis falar com a equipe, proibindo, inclusive, de ser filmada.
A BRK Ambiental chegou em Alagoas oficialmente em 1º de julho de 2021, quando assumiu os serviços de saneamento (água e esgoto) da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) nos municípios da Região Metropolitana de Maceió, após uma concessão vencida em 2020, prometendo universalizar os serviços e gerar melhorias na saúde e qualidade de vida. Ela atua em Maceió, Atalaia, Barra de Santo Antônio, Barra de São Miguel, Coqueiro Seco, Marechal Deodoro, Messias, Murici, Paripueira, Pilar, Rio Largo, Santa Luzia do Norte e Satuba, e deveria ser responsável pela distribuição eficiente de água tratada e coleta/tratamento de esgoto.
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